Como montar uma clínica odontológica: A Estrutura Física

Nos artigos anteriores sobre Como Montar uma Clínica Odontológica, destacamos que o segmento de odontologia é um dos setores que mais se destaca dentre outros que integram a indústria brasileira de saúde, pois é o único setor que apresenta superávit na balança comercial.

Falamos também sobre a escolha de uma localização para a clínica odontológica, onde o empreendedor deve se atentar quanto aos dados demográficos da cidade, a renda per capita, o crescimento populacional, a quantidade de profissionais lá estabelecidos e suas respectivas especialidades, além do custo de vida, para que não hajam surpresas capazes de abalar o planejamento previamente realizado.

E por último enfatizamos as exigências legais para abertura da empresa, etapas do registro, os alvarás sanitários, toda documentação necessária, as exigências da Anvisa e toda legislação que regulamenta a abertura de uma clínica odontológica.

No nosso 4º post da série, falaremos sobre a estrutura física de uma clínica odontológica. Como deve ser esta estrutura? Existem regras específicas?

É isto que veremos a seguir.

Boa Leitura!

Estrutura Física de Uma Clínica Odontológica

É importante realizar a diferenciação entre Clínica Odontológica e Consultório Odontológico.

  • A clínica odontológica: é o estabelecimento de assistência odontológica caracterizado como um conjunto de consultórios odontológicos, independentes entre si, com uma área de espera em comum e um único responsável técnico como um todo.
  • Já o Consultório Odontológico:  é o estabelecimento de assistência odontológica caracterizado por possuir somente um conjunto de equipamento odontológico.

As clínicas odontológicas deverão ser mantidas nas mais perfeitas condições de ordem e higiene, inclusive no que se refere ao pessoal e ao material. É importante verificar, antes de construir, comprar ou alugar uma clínica odontológica, a legislação vigente junto à Vigilância Sanitária de seu município.

Conforme a RDC/Anvisa n.º 50/02, as clínicas odontológicas devem possuir os seguintes ambientes de apoio:

  • Sala de espera para pacientes e acompanhantes com área mínima de 1,2 m2 por pessoa;
  • Depósito de material de limpeza (DML) com área mínima de 2 m2 e dimensão mínima de 1 metro, equipado com tanque;
  • Sanitário (s) para pacientes com área mínima de 1,6 m2 e dimensão mínima de 1 metro;
  • Central de material esterilizado (CME) simplificada com dois ambientes contíguos, a saber:
  • Ambiente Sujo: sala de lavagem e descontaminação de materiais com bancada, pia e guichê para a área limpa (sala de esterilização de material), com área mínima de 4,8 m2.
  • Ambiente Limpo: sala de preparo/esterilização/estocagem de material, com bancada para equipamentos de esterilização, armários para guarda de material e guichê para distribuição de material, com área mínima de 4,8 m2.

São considerados ambientes opcionais:

  • Sanitários para funcionários com área mínima de 1,6 m2 e dimensão mínima de 1 metro;
  • Depósito de equipamentos/materiais com área mínima a depender dos tipos de equipamentos e materiais;
  • Sala administrativa com área mínima de 5,5 m2 por pessoa;
  • Copa com área mínima de 2,6 m2 e dimensão mínima de 1,15 m.

Outras exigências:

  • Iluminação sem ofuscamento ou sombras.
  • Ventilação: circulação e renovação de ar. Deve haver mecanismos para reduzir o nível de unidades formadoras de colônias (UFC) no ar ambiente (aparelho esterilizador de ar e/ou filtros especiais).
  • Os estabelecimentos de assistência odontológica que possuírem aparelhos de ar condicionado deverão mantê-los limpos e providenciar a troca ou limpeza de filtros periodicamente (6 meses). Manter registro escrito.
  • Devem ser adotadas medidas para evitar a entrada de animais sinantrópicos nos ambientes do EAS, devendo-se telar todas as aberturas externas.
  • Os pisos devem ser de material liso, lavável e impermeável. Resistente a produtos de limpeza.
  • As paredes de alvenaria ou divisórias de cor clara, de material liso, lavável e impermeável.
  • Forros de cor clara sem presença de mofo, infiltrações ou descontinuidades.
  • As superfícies da sala clínica devem ser impermeáveis, permitindo a desinfecção. Proibido o uso de mesas e bancadas de madeira.
  • As instalações elétricas ou hidráulicas embutidas ou protegidas por calhas ou canaletas externas, para não haver depósito de sujidade em sua extensão.
  • As cortinas devem ser de material que permita a higienização. Proibido uso de cortina de pano.
  • O escritório deve estar separado da área de atendimento. Evitar reservatórios de microrganismos.
  • O espaço clínico não deve conter plantas, aquários, quadros, sofás, brinquedos e outros materiais que possam se constituir em focos de insalubridade.
  • Compressor de ar comprimido instalado em ambiente com tomada de ar externa e/ou com proteção acústica eficiente. Se instalado no banheiro deve ser acoplado através de ducto a ponto de captação de ar externo.
  • O lavatório deve ter água corrente (água potável da rede pública), de uso exclusivo para lavagem de mãos, com dispositivo que dispense o contato de mãos com a torneira durante o seu fechamento (inclusive no lavatório da auxiliar, se houver). Toalhas de papel descartável não reciclado e sabonete líquido. As clínicas que realizam cirurgias devem possuir lavabo cirúrgico (100 x 50 x 50 cm) e utilizar degrane líquido para as mãos.
  • As clínicas odontológicas devem contar com equipamentos para esterilização fora da área de atendimento – CME (Central de Material Esterilizado), que devem apresentar duas áreas distintas (área suja e área limpa) e ventilações independentes, diretas ao exterior e separadas até o teto, com guichê de passagem, sem cruzamento de fluxo, sendo uma área dotada de ponto de agua, cuba e bancada para recepção de material contaminado, expurgo e lavagem e outra para o preparo, esterilização, guarda e distribuição do material.
  • É aconselhável que os consultórios isolados tenham CME separado da sala clínica. Na sala clínica adotar bancadas separadas para lavagem de mãos e lavagem de instrumentais para que o fluxo de materiais seja adequado. Quando estiverem na mesma bancada devem ter distância compatível entre elas, ou barreira para que respingos da pia para lavagem de instrumental não contamine a de lavagem de mãos (lavatório).
  • A sala de espera deverá proporcionar condições para que os pacientes aguardem o atendimento sentado e possuir boa ventilação natural ou artificial. Sanitário masculino e feminino, água potável e copo descartável; Um dos banheiros adaptado para uso de pacientes portadores de necessidades especiais.
  • Cadeira, equipo, refletor, mocho, sugador de saliva, amalgamador elétrico e demais equipamentos limpos e dentro das normas técnicas e as legislações específicas.
  • Possuir DML – Depósito de Material de Limpeza – Sala destinada à guarda de aparelhos, utensílios e material de limpeza, dotado de tanque de lavagem.
  • Todas as áreas “molhadas” do Estabelecimento de Assistência à Saúde – EAS devem ter fechos hídricos (sifões) e tampa com fechamento escamoteável. É proibida a instalação de ralos em todos os ambientes onde os pacientes são examinados ou tratados.
  • Rodapés: Não arredondar. Evitar ressalto junto à parede.
  • Instalação de som: somente caixa de som, preferencialmente metálica, dentro da sala clínica.
  • Possuir vestiário para o profissional e auxiliares.
  • Ambientes incompatíveis: Escritório x Sala Clínica, CME x DML, Copa x Sala Clínica.

No caso do consultório odontológico, a exigência é que tenha área mínima de 9 m2. Devem dispor de instalações hidráulicas (água fria e esgoto), elétricas (pontos de força e iluminação), iluminação natural ou artificial, ventilação natural ou forçada e, caso necessário, gases medicinais (oxigênio, ar comprimido e vácuo medicinal).

Diante de todas estas exigências, os dentistas empreendedores devem entender que é fundamental conhecer todas as normas técnicas que determinam as adequações necessária da estrutura física de uma clínica odontológica, e isso deve ser abordado na elaboração do plano de negócios para abertura de seu empreendimento na área da saúde.

Não basta apenas pensar numa decoração atraente e confortável, com uso das mais modernas tecnologias e equipamentos odontológicos de última geração. Deve se levar em consideração em sua arquitetura alguns  quesitos básicos alinhados à ergonomia e a  biossegurança, e que principalmente,seja totalmente adequada às necessidades de todos, isto é, dos profissionais da saúde, dos pacientes, acompanhantes e também de todos os colaboradores do empreendimento.

Todos esses cuidados tornam a estrutura física de uma clínica odontológica  num empreendimento seguro e humanizado na prestação dos serviços de saúde odontológica!

Não deixe de ler o nosso próximo tema:

Como montar uma clínica odontológica: Contratando funcionários!

Até a próxima!

Fonte: SEBRAE

Leia também: OS SEGREDOS PARA MELHORAR A GESTÃO CONTÁBIL DO SEU CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO!

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